Testemunha que linchar suspeitos de crimes pode ser presa

Em um dos casos, um homem de 32 anos foi espancado, teve partes do corpo cortadas e foi queimado, após ser detido pela população

A detenção de suspeitos de crimes pela população tem se tornado cada vez mais frequente. Porém, em dois casos registrados no estado, a população não se limitou a deter os suspeitos, que também foram agredidos. A reação ou agressão é desaconselhada pela polícia e os responsáveis podem ser processados.

Em um dos casos, um homem de 32 anos foi espancado, teve partes do corpo cortadas e foi queimado, após ser detido pela população no município de Alhandra, na Grande João Pessoa.

O homem era suspeito de estuprar uma menina de dez anos, em crime cometido no dia 9 deste mês. Ele foi achado morto no dia 10.

Sequestrado, agredido e roubado

Em outro caso, um homem que havia sido vítima de sequestro relâmpago seguido de roubo foi confundido com um dos assaltantes e agredido por taxistas no bairro de Tambaú, Zona Leste da Capital.

A agressão aconteceu quando a vítima, que estava mantida como refém, por três bandidos, em um sequestro relâmpago dentro do próprio carro, estava dirigindo o veículo e os criminosos roubaram um taxista.

Após o roubo, a vítima, ainda dirigindo o carro, percebeu a aproximação dos taxistas, abriu a porta do carro e pulou na tentativa de escapar dos bandidos. Porém, os taxistas pensaram que ele era um dos criminosos e o detiveram, promovendo uma série de agressões físicas contra a vítima.

Agressores de suspeitos podem ser processados

Em entrevista à TV Correio, a capitã Carla Marques, assessora da Polícia Militar, afirmou que a PM não aconselha que a população agrida suspeitos de crimes. O que deve ser feito é a detenção seguida de acionamento da Polícia Militar.

“Então, o responsável por processar, por julgar e aplicar sanções é a Justiça. Nesses casos, recomendamos que o cidadão, ao deter um suspeito, chame a Polícia Militar, para que a PM possa fazer a condução a delegacia para que o delegado possa ouvir as partes envolvidas e, baseado nos depoimentos, possa tomar as medidas cabíveis, como instauração de inquérito policial. A pessoa (que agride suspeito de crime) pode ser (processada) se a agressão for injusta. A pessoa pode responder por lesão corporal de natureza leve, média ou grave”, disse a capitã.