Viúva de motorista de Marielle não acha que há ‘demora’ para investigação do caso: ‘Estou confiante de que será resolvido’

Anderson Pedro Gomes também foi assassinado no dia 14 de março. Veículo atingido por 13 tiros permanece no pátio da Divisão de Homicídios.

Viúva do motorista Anderson Pedro Gomes, assassinado com a vereadora Marielle Franco (PSOL), Agatha Arnaus Reis diz estar “confiante” de que o caso será resolvido, embora procure não saber muito como andam as investigações.

Para o devido processo legal, gasta-se um tempo”, afirmou ao G1.

Anderson, 39 anos, dirigia o Agile Branco que levava Marielle. Ambos foram mortos a tiros no Centro do Rio no dia 14 de março.

Pouco mais de três semanas depois do crime, são mais de 300 páginas de inquérito e ninguém ainda apontado como responsável. As poucas informações divulgadas pela Polícia Civil e as cobranças feitas nas redes sociais a cada dia, no entanto, não incomodam Agatha.

“A única vez em que eu fui lá foi para prestar depoimento, não estou muito procurando saber não”

Um servidor do Estado, Rhavi Pitta, decidiu criar um crowdfunding para ajudar a família de Agatha e o filho, Arthur. Até esta quarta-feira (4), haviam sido arrecadados R$ 16,18 mil .

Carro simboliza passagem do tempo

​Após mais homenagens na segunda-feira (2), em um evento no Circo Voador, no Centro, e com luzes espalhadas pela cidade e outros países do mundo, o carro atingido por 13 disparos na noite de três semanas atrás retrata a passagem desses 22 dias.

Por todo o veículo e dentro dele, as folhas se acumulam: o veículo foi mantido intacto, pois é a principal prova do crime. As marcações do trabalho dos peritos ainda estão lá, indicando por onde as balas entraram, disparadas pelo atirador que estava no carro que emparelhou com o Agile Branco, onde estavam Marielle e Anderson.

O metal de um dos suportes da janela do carro ficou retorcido com a passagem do tempo, com ajuda da maresia próxima da rua onde fica o pátio de veículos periciados pela Divisão de Homicídios da Capital.

Agatha diz que esperava que o carro fosse retirado pelo seguro logo depois de seu depoimento, mas afirma ter sido informada de que seria necessária uma perícia complementar.

“Isso já tem bastante tempo, e não me falaram nada ainda sobre a liberação do carro”, relata Agatha.

No banco de trás​, manchas de sangue permanecem espalhadas pela região em que Marielle foi atingida, na altura da cabeça.

Na parte frontal do veículo, uma folha repousa sobre o ponto de saída do tiro que partiu do banco traseiro direito e atingiu o motorista em diagonal. No banco do carona, uma edição impressa do diário da Câmara Municipal. Em um pedaço de papel, anotações sobre pagamentos e um nome anotado: Anderson Pedro Gomes.

“O carro não ter sido liberado ainda não me incomoda. Confio no que é necessário, para quantas perícias quiserem fazer. O próprio seguro vai retirar e avaliar, se iriam consertar ou se iriam dar perda total, e vai levar para outro lugar.” Em relação a um aspecto, Agatha está decidida: “Não vou levar o carro para casa, não”.